31/10/2026
Na minha cabeça, a palavra desistir simplesmente não existe. Em circunstância alguma!
E desta vez não seria diferente.
Foi quando tive o restaurante que despertei na Maria, a minha enteada, o bichinho pela cozinha e pelo empreendedorismo. Mas esse bichinho cresceu ainda mais quando ela percebeu que, mesmo perante as dificuldades, as críticas e as desilusões, eu não desisti. Porque, para mim, desistir nunca foi uma opção.
Às vezes, precisamos de nos reinventar. Outras vezes, de recomeçar. E, por vezes, até de mudar de direção. E está tudo bem! O importante é não deixar que as dificuldades nos façam esquecer aquilo que somos e aquilo que ainda podemos conquistar.
Quando cheguei a casa, depois de mais um dia de trabalho, propus à Maria que começasse a fazer pizzas para vendermos no talho.
A resposta? Um redondo não!
Tentei perceber o porquê, embora, no fundo, já soubesse a resposta.
As críticas fazem parte da vida. Mas quando não são construtivas, quando não são verdadeiras e servem apenas para nos rebaixar, magoam. Desiludem. Fazem-nos perder a vontade de tentar. E a Maria viu-me passar por isso tantas e tantas vezes...
Eu compreendi-a. Mas também lhe quis mostrar que não podemos deixar de fazer aquilo que gostamos ou de lutar pelos nossos sonhos por medo da opinião dos outros. Porque as críticas vão existir sempre, independentemente daquilo que façamos.
Ainda hoje tenho medo de muita coisa. Seja quando sou eu a fazer, seja quando é o Miguel. Sobretudo depois daquele ma***to diagnóstico, em 2024, que me derrubou por completo.
Superei? Não sei se alguma vez poderei dizer que superei. Mas tentei dar a volta. Tentei encontrar uma forma de continuar. E foi isso que sempre lhe ensinei: nem sempre conseguimos evitar as quedas, mas podemos escolher levantar-nos e tentar novamente.
A Maria começou como qualquer criança ou adolescente: com alguma teimosia, vontade própria e a certeza de que sabia exatamente o que estava a fazer.
Fez as suas pizzas, mas não queria ouvir as nossas opiniões. E eu deixei-a experimentar, porque também precisamos de aprender com os nossos próprios erros. E aconteceu precisamente aquilo que eu lhe tinha tentado explicar.
Mas sabem uma coisa? Eu não desisto. E também não a ensino a desistir. Ensino-a a recomeçar!
Foi isso que ela fez.
Aprendeu com os primeiros erros, reconheceu que podia melhorar e, desta vez, foi ela que me convidou a participar. Pediu-me ajuda para aperfeiçoar as suas pizzas, e eu, como é óbvio, aceitei de coração cheio.
E aqui estão elas!
Com a massa no ponto certo, o recheio na medida certa e, acima de tudo, muito amor, dedicação e vontade de fazer melhor.
E agora que provei, posso dizer-vos: estão finalmente no ponto!
Por isso, quero convidar-vos a todos a apoiar este pequeno grande sonho da Maria.
A partir de segunda-feira, as pizzas feitas pelas mãos dela estarão disponíveis no Talho do Miguel!
São pizzas feitas por uma adolescente que sonha, que aprende, que erra, que melhora e que quer construir o seu futuro na terra onde cresceu.
E eu não podia estar mais orgulhosa de fazer parte deste caminho.
Porque os sonhos não têm idade. Porque empreender também se aprende. E porque, às vezes, o maior ensinamento que podemos dar aos nossos filhos não é mostrar-lhes como nunca cair, mas sim ensinar-lhes que podem sempre levantar-se.
Ficamos à vossa espera, no Talho do Miguel, para provarem as pizzas da Maria e ajudarem a alimentar este sonho. ❤️
Apoiem os pequenos sonhos. Um dia, podem tornar-se grandes conquistas!