20/09/2026
𝐏𝐎𝐑𝐓𝐔𝐆𝐀𝐋 𝐄 𝐀 𝐂𝐀𝐍𝐀́𝐁𝐈𝐒: 𝐔𝐌𝐀 𝐈𝐍𝐃𝐔́𝐒𝐓𝐑𝐈𝐀 𝐆𝐈𝐆𝐀𝐍𝐓𝐄, 𝐔𝐌 𝐃𝐄𝐁𝐀𝐓𝐄 𝐌𝐈𝐍𝐔́𝐒𝐂𝐔𝐋𝐎
𝐏𝐎𝐑𝐓𝐔𝐆𝐀𝐋 𝐄𝐗𝐏𝐎𝐑𝐓𝐀 𝐓𝐎𝐍𝐄𝐋𝐀𝐃𝐀𝐒, 𝐑𝐄𝐆𝐔𝐋𝐀 𝐏𝐎𝐔𝐂𝐎 𝐄 𝐃𝐈𝐒𝐂𝐔𝐓𝐄 𝐀𝐈𝐍𝐃𝐀 𝐌𝐄𝐍𝐎𝐒 — 𝐀𝐓É 𝐐𝐔𝐀𝐍𝐃𝐎 𝐕𝐀𝐌𝐎𝐒 𝐈𝐆𝐍𝐎𝐑𝐀𝐑 𝐔𝐌𝐀 𝐈𝐍𝐃𝐔́𝐒𝐓𝐑𝐈𝐀 𝐐𝐔𝐄 𝐉Á 𝐄𝐗𝐈𝐒𝐓𝐄?
Portugal exportou 79.883 quilos de canábis medicinal em 2025, segundo o Infarmed — um crescimento de 156% face ao ano anterior e oito vezes mais do que em 2022. No primeiro semestre de 2026, já tinham saído 66 toneladas. Somos, há anos, o segundo maior exportador mundial, atrás apenas do Canadá.
Construímos, quase sem discussão pública, uma estrutura industrial e regulatória certif**ada que abastece os mercados mais exigentes do mundo. E, no entanto, sobre o que fazer com esta indústria… silêncio.
A União Europeia estima o mercado ilícito de canábis em 12,1 mil milhões de euros anuais. Esse mercado existe, opera e financia redes criminosas — quer o Estado queira, quer não. A questão nunca foi “Deve existir?”. A questão é quem o regula, quem captura o valor e quem paga as externalidades.
A Alemanha oferece o caso mais relevante: desde 2024, legalizou posse, autocultivo e clubes. O relatório oficial EKOCAN mostra uma queda de 60 a 80% nas infrações policiais e 100 mil processos criminais a menos num ano. Mas também revela que a receita fiscal recreativa é zero — porque não há mercado comercial. E não há porque o direito europeu não permite, devido à Decisão‑Quadro 2004/757/JAI e ao artigo 71.º de Schengen.
O Canadá, por sua vez, mostra que os riscos de saúde dependem do desenho regulatório: as intoxicações pediátricas dispararam nas províncias que permitiram edibles; no Quebeque, que os proibiu, não houve aumento signif**ativo. Externalidades não são inevitáveis — são reguláveis.
Entretanto, a Alemanha importou 201 toneladas de canábis medicinal em 2025, segundo o BfArM. Portugal forneceu 55 toneladas. Parte desse volume é cultivo canadiano certif**ado cá. Somos plataforma de certif**ação e reexportação. Mas quanto valor acrescentado f**a realmente no país?
O problema não é falta de intenção política. É falta de trabalho de casa: económico, regulatório, europeu e de saúde pública. Falta discutir onde podemos atuar, onde não podemos, e onde devemos levar a discussão — incluindo Bruxelas e Estrasburgo.
𝐄 𝐀 𝐏𝐄𝐑𝐆𝐔𝐍𝐓𝐀 𝐐𝐔𝐄 𝐅𝐈𝐂𝐀 𝐍𝐎 𝐀𝐑:
Porquê continuamos a assobiar para o lado como se nada disto se passasse?
𝐓𝐕𝐌𝐆 – 𝐌𝐚𝐫𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐆𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐓𝐕
𝐀 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐓𝐞𝐫𝐫𝐚. 𝐀 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐓𝐞𝐥𝐞𝐯𝐢𝐬𝐚̃𝐨. 💛🖤