06/06/2026
🇦🇴ANGOLA: CRÉDITO TOTAL AO SECTOR REAL DA ECONOMIA CRESCE 92,9% PARA 8,9 BILIÕES DE KWANZAS
O stock de crédito à economia nacional evoluiu 92,9 por cento, em quatro anos, ao sair de 4,6 biliões de kwanzas em 2022 para os 8,9 biliões no final de 2025.
Isaque Lourenço Jornalista
sábado, 06 de junho de 2026
De acordo com os dados analisados na reunião da última quarta-feira, em Luanda, entre a Equipa Económica do Governo e o Grupo Técnico Empresarial (GTE), os particulares receberam em 2025 financiamento estimado em 1,6 biliões de kwanzas.
Contudo, só no I trimestre deste ano, a cifra foi superada com o registo de 1,7 biliões de kwanzas já concedidos.
O documento do Governo mostra, por outro lado, que os sectores da Construção, Indústria Extractiva e Indústria Transformadora também se destacam ao apresentarem um Stock de crédito acima dos 800 mil milhões de kwanzas cada um nos primeiros três meses deste ano.
O Governo reconhece que a economia real tem sido positivamente influenciada pelo aumento do stock de crédito em moeda nacional, o que está em linha com a estratégia prevista no Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027.
Para se assegurar da realização do objectivo de desenvolvimento nacional, a política económica mantém como braços estratégicos a acção do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), ao qual se incumbiu a missão de expandir a Agricultura familiar, promover o acesso ao crédito e apoios técnicos com foco na mecanização da produção. Ao Fundo de Garantia de Crédito (FGC) fixou-se o objectivo de ampliar o financiamento bancário às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), através da concessão de garantias públicas. Já o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) assumiu como tarefa, nesta estratégia, financiar o investimento de longo prazo, tendo em vista ao desenvolvimento económico nacional.
Não menos importante, nesta arquitectura definida, é o papel atribuído ao sector financeiro bancário, com os bancos de Poupança e Crédito (BPC), Angolano de Investimentos (BAI), de Comércio e Indústria (BCI), Fomento Angola (BFA) e Standard Bank Angola (SBA). Estes operadores ocupam-se do papel de concessão do crédito de apoio à economia real, numa parceria mais dinamizada.
Acelerar a diversificação
Não obstante os actuais indicadores de crescimento da economia angolana, e Equipa Económica do Governo espelha a contínua aposta na implementação de medidas que acelerem a diversificação da economia e impulsionem o crescimento sustentável.
Um dos grandes compromissos está política industrial e transformação económica cujo foco está em revitalizar a indústria transformadora, pelo aproveitamento da capacidade disponível e o dinamismo do sector primário. O enfoque segue centrado nas pequenas e médias empresas.
Nessa perspectiva, a prioridade vai também para a revitalização do processamento local de recursos minerais em termos de infra-estruturas e logística.
Este foco também indica como missão prioritária o desenvolvimento de corredores económicos, valorizando as infra-estruturas existentes em rápida recuperação e modernização. São, de igual modo, pilares estratégicos essenciais a segurança alimentar e o desenvolvimento rural bem como o crescimento pleno do sector privado. Restando pouco mais de ano e meio para a conclusão do Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, um farol aceso para este ano e o próximo tem que ver com a perspectiva de se construir uma economia assente no sector Privado e que possa crescer acima de 5,0 por cento ao ano.
A empregabilidade dos jovens é um compromisso inadiável e intransferível, cuja concretização pode passar, necessariamente, pela integração das cadeias produtivas, por via da incorporação local de matéria-prima e mão-de-obra.
Conforme defende o Go-verno na sua estratégia, a materialização destes pressupostos vai resultar na protecção do mercado interno de forma equilibrada, visando à produção de bens essenciais substitutos das importações, atracção de investimento estrangeiro directo e investidores com foco na Agricultura e outros segmentos da economia real.
Desemprego também a cair
A taxa de desemprego em Angola de 29,6 por cento, no quarto trimestre de 2022, chegou a subir até 32,4 por cento no I trimestre de 2024. Porém, seguidamente, a descida é consecutiva, tendo o indicador apurado uma taxa de 26,9 por cento no III trimestre de 2025.
A taxa de desemprego, no I trimestre de 2026, situou-se em 21,3 por cento, sendo que a população empregada esteve na maioria a trabalhar no sector da Agricultura, pecuária, caça, floresta e Pesca.
Insegurança alimentar
A insegurança alimentar severa em Angola caiu mais de 19,6 por cento para 11,7 por cento, num recuo acima de quase 8,0 pontos percentuais. Já a insegurança moderada cresceu ligeiramente ao sair de 58,8 por cento para 59,2 por cento. A Insegurança leve assinalou um desempenho evolutivo ao sair de 21.9 por cento para 29 por cento. A diferença foi de 7,0 por cento.
Empresas contribuem mais na geração de riqueza do país
As empresas contribuíram, no I trimestre, com 5,32 por cento na geração do Valor Acrescentado Bruto à economia angolana.
O Valor Acrescentado Bruto é o resultado do somatório entre o que as empresas gastaram (custos intermédios) para produzir bens e serviços e o que obtiveram da respectiva venda da produção obtida.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a contribuição observada nos meses de Janeiro, Fevereiro e Março representaram uma arrecadação de 34,02 biliões de kwanzas, distribuídos pelos diferentes sectores, onde a Agro-pecuária surge com 20,52 por cento, o Comércio com 18,76 por cento, os Petróleos com 15,78 por cento e a Administração Pública com 11,63 por cento.
Convidado ao Programa Manhã Informativa da Rádio Nacional de Angola (RNA), o economista e director das Contas Nacionais do INE (Instituto Nacional de Estatística), Wilson Chimoco, clarificou que a instituição em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) aborda-o na óptica da Produção, cujo foco é a produção das empresas. Wilson Chimoco detalhou que a abordagem do PIB poderia ser ainda feita na óptica da despesa ou dos rendimentos.
Neste sentido, o director das Contas Nacionais afirmou que o crescimento do PIB significa mais riqueza pelos diferentes sectores e que ainda assim podem existir aqueles em que o crescimento tenha sido negativo. Para estes casos, disse, existem fortes possibilidades de os preços reais na economia registarem subidas.
Aliás, explica Wilson Chimoco, a desaceleração da inflação, observada nos últimos meses, não indicam descida de preços, mas uma subida mais lenta se comparada a igual período do ano anterior