16/04/2026
By Franck Coutinho.
O fardão da maioridade (1840) e do casamento (1843) do Imperador Dom Pedro II. Acervo do Museu Mariano Procópio, Minas Gerais.
Em 1926, Alfredo Ferreira Lage, apaixonado pelas causas do Império e grande admirador de D. Pedro II, adquiria para o Museu Mariano Procópio os fardões usados nas cerimônias da maioridade e do casamento do Imperador. Guardados pelo primeiro Mordomo-Mor, Conselheiro Paulo Barbosa da Silva (1795-1868), foram conservados pela família e vendidos ao mercador de objetos antigos, G. de Miguel & Cia., localizado, na época, na Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. A companhia chegou a oferecer as peças a diversos museus brasileiros, porém, sem êxito.
De acordo com o supervisor de Museologia da instituição, Eduardo Machado, uma das curiosidades sobre as peças é que elas são confeccionadas em lã e levam bordados de elementos fitomorfos em fios de ouro e que as formas desses bordados representam folhas de carvalho. Ainda de acordo com ele, o carvalho significa “força”, “longevidade” e “resistência” relacionadas ao eixo mundo, características importantes para o monarca que se tornou oficialmente Imperador do Brasil com apenas 14 anos de idade.
Outra curiosidade é que, para adquirir as peças, o fundador do museu recebeu uma pequena ajuda do jornalista e historiador Pedro Calmon. Em abril de 1926, na Gazeta de Notícias, ele produziu uma reportagem em que assustava o mercador G. de Miguel, suscitando questionamentos sobre as vestes imperiais, dizendo serem bens nacionais. Por um preço bem menor, o diretor do Museu Mariano Procópio conseguiu comprar as peças, impedindo que as mesmas fossem vendidas para o exterior.
Brazil Imperial.