28/03/2026
Um dia já o disse, e volto a reafirmar: passageiros não são sacos de batatas. É profundamente triste a realidade verificada nesta sexta-feira, no Caminho de Ferro de Benguela, que resultou em um número significativo de feridos.
Até ao momento, as autoridades ainda não apresentaram uma causa oficial para o ocorrido. No entanto, há indícios que nos levam a considerar dois fatores prováveis:
Excesso de lotação;
Mau estado do comboio.
O que se observa na região leste é, de facto, preocupante. A forma como temos procedido, tanto nós, enquanto passageiros, quanto a própria direção do CFB, levanta sérias questões. Nota-se uma gestão financeira que parece sobrepor-se à qualidade dos serviços prestados. As enchentes constantes nas estações demonstram uma aparente falta de controlo sobre a capacidade real que os comboios podem suportar. Colocar o lucro acima da segurança e do bem-estar da população é uma prática inaceitável.
Peço desculpas caso esteja equivocado, mas, segundo relatos presentes em vídeos do acidente, o comboio terá se separado em uma das suas junções, provocando a divisão da composição e movimentos contrários entre as partes. Situações deste tipo não são inéditas; têm-se repetido ao longo do tempo, embora desta vez com consequências mais graves. Isso levanta uma questão importante: o que está na base dessas ocorrências? Tudo indica que seja o estado de conservação dos comboios. Há anos que operam na região leste, e não há registos claros de renovação significativa da frota. Se assim for, torna-se legítimo questionar: onde está a responsabilidade da empresa e da direção do CFB? Que medidas têm sido tomadas para garantir a segurança? É inadmissível que serviços desta dimensão operem sem manutenção adequada.
Apela-se, portanto, ao diálogo entre a empresa e o Governo, no sentido de garantir condições de transporte mais seguras e dignas para todos os cidadãos.
Por outro lado, importa também reconhecer a nossa parcela de responsabilidade enquanto passageiros. Muitas vezes, por pressa ou necessidade, recorremos a práticas inseguras, como viajar em locais inadequados, forçar entradas ou desrespeitar normas básicas. Além disso, existem denúncias de práticas indevidas na venda de bilhetes, o que contribui para a desorganização e injustiça no acesso ao serviço. Trata-se de um problema coletivo, onde cada parte deve assumir o seu papel.
Que haja mais consciência, responsabilidade e, acima de tudo, compromisso com a vida humana.